HC-UFU tem improvisação, macas em corredores e acompanhantes no chão devido à superlotação

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
HC-UFU tem pacientes em macas nos corredores devido à superlotação A TV Integração exibiu nesta quinta-feira (12) uma reportagem sobre a superlotação no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). Em imagens enviadas por telespectadores, é possível ver macas nos corredores e acompanhantes dormindo no chão, situação que compromete a qualidade do serviço oferecido. Veja as imagens acima. Francisco José de Araújo Filho, enfermeiro da unidade de Urgência e Emergência do HC-UFU, disse que não há um corredor no hospital sem pacientes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp "A observação passou a ser uma enfermaria de internação e, como não temos onde colocar os pacientes, eles ficam distribuídos pelos corredores", afirmou. As macas estão sendo usadas como leitos. A técnica em enfermagem Marli Teixeira de Cerqueira contou que os pacientes chegam a esperar até quatro dias nas macas. A higiene dos pacientes e os curativos estão sendo feitos no corredor, longe da condição ideal. "A gente precisa disputar espaço no banheiro de setores vizinhos porque o setor de observação não tem", disse. "As salas designadas para isso estão cheias de pacientes internados", afirmou o enfermeiro e diretor do Sindserh-MG, Luiz Alberto Gavassi. O médico Guilherme Henrique de Faria Alves contou que há pacientes internados até dentro de consultórios médicos. "São pacientes que estão tratando câncer, idosos acompanhados de outros idosos que precisam dormir nas cadeiras ou no chão. Sem contar a parte assistencial, porque esses leitos a mais, com pacientes internados onde não deveriam estar, acabam não recebendo o atendimento adequado." A unidade de Urgência e Emergência do HC-UFU tem 69 leitos de internação, mas, segundo os servidores, no momento esse número é quase três vezes maior. "Em alguns dias chega a 180 pacientes. Um profissional que atende, com segurança, três ou quatro pacientes precisa cuidar de 10", disse Eliseu da Costa Campo, enfermeiro oncologista e coordenador do Sindserh-MG. Guilherme Henrique explica que as condições são insalubres. Faltam plantonistas na clínica médica, que conta com dois profissionais para cuidar de cerca de 30 pacientes. O cenário de superlotação no pronto-socorro vem se agravando desde 2025 e reuniões já foram feitas para tentar encontrar uma solução. Para isso, é necessário reorganizar o encaminhamento de pacientes para o hospital e reduzir o número de pessoas com casos menos graves, que não deveriam ser atendidas no HC. "Não temos equipes de enfermagem suficientes para isso, nem insumos para fazer esse atendimento. A gente acaba fazendo uma medicina de guerra numa cidade que vive em paz", disse o médico. O processo de encaminhamento de pacientes é conhecido como regulação. Em janeiro e fevereiro, 1.973 pacientes entraram de forma correta, ou seja, regulados no HC-UFU. Entretanto, 2.384, o que representa 55%, chegaram sem regulação. Gilberta Maria Pires de Oliveira e Sousa, técnica em enfermagem e coordenadora do Sintet-UFU, cobra da Ebserh a recomposição do número de profissionais que foram prometidos para atuar no hospital e garantir um atendimento de excelência. LEIA TAMBÉM: Obra interdita pontilhão de linha férrea em Uberlândia por 45 dias; veja as rotas alternativas Samu em Uberlândia começa a operar no dia 15 de maio; confira o cronograma final Chuvas devem chegar a 100 mm devido à umidade vinda da Amazônia Registro de acompanhante dormindo no chão da unidade de Urgência e Emergência do HC-UFU Reprodução/TV Integração O que diz a decisão judicial Uma decisão da Justiça determinou uma série de medidas para reorganizar o fluxo de atendimento na rede pública de saúde em Uberlândia. A decisão foi tomada após uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), que aponta graves deficiências na prestação de serviços de saúde no município. A ação foi movida contra o Município de Uberlândia, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), responsável pela gestão do Hospital Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e o Estado de Minas Gerais. Segundo o MPF, um dos principais problemas apontados é a superlotação do Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU), causada pelo encaminhamento de pacientes à unidade por meio do mecanismo chamado “vaga zero”. Esse instrumento permite a transferência de pacientes em situações de urgência, mesmo quando não há vaga disponível. De acordo com o documento, o município estaria descumprindo a pactuação que define o HC-UFU como referência para casos de alta complexidade nas áreas de cardiologia, neurologia e traumato-ortopedia. Ainda assim, pacientes estariam sendo encaminhados para a unidade para procedimentos que poderiam ser realizados em outros serviços, como exames simples ou definição de diagnóstico. A ação também aponta que o Hospital Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro, administrado pela SPDM, é credenciado para realizar procedimentos de alta complexidade em cardiologia e traumato-ortopedia. No entanto, segundo o MPF, esses atendimentos não estariam sendo realizados, o que faria com que a maioria dos pacientes fosse encaminhada ao Hospital de Clínicas da UFU. Outro problema apontado na ação é a falta de estrutura adequada nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) para atendimentos de urgência e emergência. Conforme o documento, pacientes são encaminhados ao HC-UFU sem diagnóstico definido e, posteriormente, as UAIs não aceitariam recebê-los novamente para continuidade do atendimento. Determinações da Justiça Na decisão, a Justiça determinou que o Município de Uberlândia: Respeite o perfil de alta complexidade do HC-UFU e deixe de encaminhar pacientes que não se enquadrem nessa categoria; Estruture um fluxo para receber de volta pacientes encaminhados ao hospital universitário, garantindo a continuidade do atendimento; Adote, em conjunto com a SPDM, medidas para garantir o funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, dos serviços para os quais o hospital municipal está habilitado; Implante e divulgue uma fila única para cirurgias e procedimentos eletivos, gerenciada pelo município, permitindo que os pacientes acompanhem sua posição e a previsão de atendimento. Para a UFU e o Hospital de Clínicas, a Justiça determinou que: Mantenham equipes de médicos reguladores em funcionamento 24 horas por dia; Colaborem com a gestão municipal para aprimorar os protocolos de admissão e reencaminhamento de pacientes, especialmente nos casos de transferências consideradas indevidas; Estabeleçam um canal permanente de comunicação com o município para resolução rápida de impasses. Ao Estado de Minas Gerais, a decisão determina que: Atue como articulador e mediador entre o município e o Hospital de Clínicas para garantir o cumprimento das determinações; Fiscalize os contratos da rede de urgência e emergência e aplique medidas em caso de descumprimento; Ofereça suporte técnico e, se necessário, complementar, para a execução das medidas. Pronto Socorro Hospital de Clínicas Universidade Federal de Uberlândia HC-UFU Guilherme Gonçalves/ g1 Triângulo O que dizem os citados Em entrevista ao MG1, da TV Integração, o secretário municipal de Saúde, Adenilson Lima, afirmou que a situação é resultado de um problema estrutural enfrentado pelo sistema público de saúde no município. Segundo ele, cerca de 75% da população de Uberlândia depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), o que aumenta a pressão sobre a rede pública. De acordo com o secretário, atualmente há cerca de 300 pessoas internadas nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) e o Hospital Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro opera com cerca de 120% da capacidade. Adenilson também destacou que existe um contrato que rege a relação entre os serviços, com regras definidas e acompanhamento de uma comissão. O secretário citou ainda medidas adotadas para ampliar a capacidade de atendimento, como a abertura de novos leitos de cuidados intermediários, a expansão do Hospital Santa Catarina e o aumento de procedimentos realizados na rede. Segundo ele, também foram realizadas cerca de 2 mil cirurgias ortopédicas e 540 angioplastias pelo município. Adenilson explicou que alguns pacientes atendidos no Hospital de Clínicas não passam pelo processo de regulação, por se tratarem de casos de demanda espontânea, como pacientes que já estão em tratamento na unidade, por exemplo em oncologia ou ambulatórios, e que apresentam alguma intercorrência. “Esses pacientes passam mal dentro do hospital ou do ambulatório e precisam receber o primeiro atendimento ali”, explicou. O secretário afirmou ainda que a prefeitura está aberta ao diálogo para discutir soluções para o problema e afirmou que é necessário discutir com a Ebserh o dimensionamento de profissionais e o financiamento do pronto-socorro do Hospital de Clínicas. Segundo ele, o Ministério da Saúde deve aportar cerca de R$ 86 milhões adicionais neste ano para o financiamento do hospital, recursos que envolvem a Ebserh, o Ministério da Educação e a Prefeitura de Uberlândia e que poderiam ser utilizados para ampliar o pronto-socorro da unidade. Sobre o atendimento de alta complexidade, o secretário disse que o município cobra o cumprimento do que está previsto em contrato. “Se algum serviço que está contratado não for realizado, isso precisa ser revisto. Se não vai atender, tem que retirar do contrato. Vamos conversar sobre isso”, afirmou. O superintendente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), André Luiz de Oliveira, afirmou que a unidade é o maior prestador público de atendimento na rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, mas destacou que o hospital não é o único. “O Hospital de Clínicas é um prestador do SUS, o maior prestador público na rede de urgência e emergência, mas não é o único prestador responsável por garantir um atendimento de qualidade à população”, disse. Segundo ele, na manhã de quinta-feira havia 141 pacientes na unidade de urgência e emergência do hospital. O HC-UFU conta atualmente com 532 leitos no total. O superintendente explicou que a dinâmica hospitalar torna difícil remanejar pacientes para outros setores para aliviar a superlotação da urgência. “Não é simplesmente transferir pacientes para outros leitos. O hospital tem outras áreas sensíveis funcionando ao mesmo tempo, como cirurgias eletivas e o atendimento em oncologia”, afirmou. De acordo com André Luiz de Oliveira, o hospital tem registrado aumento na demanda nos últimos meses, com pacientes chegando tanto por encaminhamento regulado quanto por atendimentos não regulados. “O hospital entende que é parceiro da gestão do SUS, tanto local quanto regional. Por isso, buscamos pelo menos acolher os pacientes e garantir o atendimento inicial”, afirmou. Ele explicou que a estrutura da unidade de urgência e emergência adulta foi dimensionada para 69 leitos de internação e 15 leitos de observação. Atualmente, no entanto, a ocupação está bem acima da capacidade. “Hoje estamos com cerca de 167% de ocupação na urgência e emergência adulta. Os pacientes precisam ser acomodados da melhor maneira possível. Não é o que o usuário merece, mas é o que conseguimos fazer neste momento”, disse. Segundo o superintendente, as equipes do hospital trabalham para tentar reduzir a superlotação, mas a solução depende da articulação entre diferentes níveis de gestão da saúde. “Todas as equipes estão empenhadas em reverter essa situação, mas isso depende da articulação com a gestão municipal e regional da saúde”, afirmou. Em nota, a SPDM informou que realiza os procedimentos de alta complexidade em cardiologia e traumato-ortopedia conforme os indicadores estabelecidos no contrato de gestão firmado com o Município de Uberlândia. A entidade também afirmou que mantém o compromisso de oferecer atendimento de qualidade à população e que está à disposição do Ministério Público para prestar os esclarecimentos necessários. Já a Advocacia-Geral do Estado informou que irá se manifestar nos autos do processo. Corredores estão ocupados com pacientes internados no HC-UFU Reprodução/TV Integração ASSISTA TAMBÉM: Trabalhadores do HC‑UFU denunciam superlotação no Pronto‑Socorro Trabalhadores do HC‑UFU denunciam superlotação no Pronto‑Socorro VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/03/12/hc-ufu-tem-improvisacao-macas-em-corredores-acompanhantes-no-chao-e-atendimento-comprometido-devido-a-superlotacao.ghtml


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