Ativa, saudável e apaixonada pelo neto: quem era a mulher que morreu por hepatite A em Juiz de Fora

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
Juiz de Fora registra morte por hepatite A; casos passam de 800 em 2026 “Muito saudável, ativa e trabalhadora”. É assim que Thaís Terra, de 37 anos, descreve a mãe, a cuidadora de idosos Ângela Cristina Terra Pinto, de 60, que se tornou a primeira morte confirmada por hepatite A em Juiz de Fora em 2026. A cuidadora morreu no dia 30 de abril e deixou duas filhas e um neto de 8 anos. Até o fim de abril, a cidade confirmou 808 casos da doença e tem o maior número de registros em Minas Gerais em 2026. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Em entrevista ao g1, a filha lembrou que a mãe era o pilar de uma família de mulheres e o porto seguro do neto. “Meu filho era o amor da vida dela. Ele é especial e, além de mim, só aceitava ficar com ela”. Ângela Cristina Terra Pinto, primeira vítima de hepatite A em Juiz de Fora, ao lado das filhas e do neto Thaís Terra Pinto/Arquivo Pessoal Conforme o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), na terça-feira (12), a confirmação de que Ângela Cristina estava com hepatite A ocorreu após o Setor de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) receber os resultados de análises laboratoriais que atestaram positivo para a presença do vírus. Apesar da informação do hospital, a Prefeitura informou, em nota, que o óbito segue em investigação e que a análise laboratorial representa apenas uma das etapas do processo, que também considera o quadro clínico, antecedentes epidemiológicos, fatores de risco e outras informações necessárias para determinar a causa da morte. (Veja a nota na íntegra abaixo). Contato com o vírus A família acredita que a mulher contraiu a hepatite ao sair de casa para ajudar amigos logo após a tragédia da chuva que atingiu Juiz de Fora no dia 23 de fevereiro. De acordo com Thaís, o contato com o vírus teria ocorrido em seguida. “Ela me mandou um áudio falando que ia na casa de amigos que sofreram com a enchente, e a casa estava inundada. Foi a única coisa diferente que ela fez. A mesma água e comida que ela consumiu, meu filho também consumiu, e a moça que ela cuidava também, e ninguém teve nada”, contou a filha. Segundo a família, durante os dias em que a mãe esteve internada, os profissionais de saúde explicaram que o vírus pode ficar incubado por esse período, o que levantou a suspeita da doença. LEIA TAMBÉM: Gari tem perna amputada ao ser prensado em acidente com caminhão de lixo em Juiz de Fora Cronologia Ângela Cristina Terra Pinto morreu de hepatite A em Juiz de Fora Thaís Terra Pinto/Arquivo Pessoal 24 de fevereiro: a cuidadora foi até a casa de amigos que haviam perdido móveis e bens na enchente para ajudar na limpeza e organização. “Foi a única coisa diferente que ela fez”, reforça a filha; 23 de abril: Ângela começou a sentir o que parecia uma forte gripe; 27 de abril: com a piora rápida e vômitos, deu entrada na UPA Santa Luzia; 28 de abril: o quadro clínico se agravou drasticamente, com comprometimento renal e neurológico. Após uma decisão judicial para conseguir vaga, ela foi transferida à noite para o HMTJ; Início da madrugada de 30 de abril: apenas três dias após manifestar os primeiros sintomas graves, a cuidadora não resistiu às complicações de sepse e falência do fígado. Casos em 2026 são os maiores dos últimos 10 anos Até o fim de abril, Juiz de Fora confirmou 808 casos da doença, o que representa mais de 70% dos registros de hepatite A em Minas Gerais em 2026. O número supera o total de registros na cidade nos últimos 10 anos, entre 2016 e 2025. A análise territorial indica que os registros estão distribuídos por todas as regiões da cidade, com maior concentração na região central e na zona sul. MAIS SOBRE A HEPATITE A: Família acredita que cuidadora morta por hepatite A em Juiz de Fora contraiu vírus ao ajudar vítimas de enchente Casos de hepatite em Juiz de Fora: saiba os sintomas, como tratar e quem pode se vacinar Casos de Hepatite A em Juiz de Fora disparam e já superam soma dos últimos 10 anos Juiz de Fora concentra mais de 70% dos casos de hepatite A em MG Nota da Prefeitura na íntegra "A Prefeitura de Juiz de Fora informa que o óbito de uma mulher, de 60 anos, com exame reagente para Hepatite A, segue em investigação. A análise laboratorial é apenas uma das etapas da investigação de óbito, que também considera quadro clínico, antecedentes epidemiológicos, fatores de risco e outras informações necessárias para determinar a causalidade. A PJF mantém o monitoramento dos casos na cidade, inclusive em razão do período de incubação da Hepatite A. Os dados mais recentes, no entanto, apontam queda média de 32% entre as cinco últimas semanas epidemiológicas, indicando tendência de redução. Por fim, conforme informado pela Secretaria de Estado de Saúde em entrevista a uma TV local, a Prefeitura reitera que Juiz de Fora não vive um cenário de surto". VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes| em G1 / MG / Zona da Mata

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/05/13/ativa-saudavel-e-apaixonada-pelo-neto-quem-era-a-mulher-que-morreu-por-hepatite-a-em-juiz-de-fora.ghtml


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